Terça-feira, Maio 29

nós achamos que pega muito mal falar da identificação NERVOSA que rolou ao ver isso. então nós vamos fingir que colocamos essa figurinha aqui muito casualmente, só porque achamos engraçadinha.

rs.


(30 anos de relacionamentos sócio-afetivos - ou a falta deles - resumidos nesse ~suspicious~. o horror, o horror.)

Domingo, Maio 27

mas nada é tão ruim que não possa piorar

e por razões que o próprio masoquismo desconhece virei a noite assistindo welcome to the dollhouse. pra acompanhar toda essa auto-análise desenfreada de meu deus. e depois nunca mais dormi na vida, óbvio.

porque aparentemente revisitar o passado de 75 formas diferentes e uma pior do que a outra ainda não tá de bom tamanho.

por que será que eu faço esse tipo de coisa, não é mesmo?


precisa?
não apenas continuo viva como passei todo o meu sábado em lenta agonia traduzindo um artigo sobre maconha. dez pra uma da manhã e eu aqui baixando resumos da forensic science international como se não houvesse amanhã. porque nesse ritmo é bem provável que não haja, mesmo.

minha vida é ridícula, já mencionei isso hoje?

daí tem todos os termos e procedimentos que outrora me foram familiares. sequenciamento de dna e pcr e as desgraças todas. e gente, não é incrível que eu tenha passado longos anos da minha vida lidando com isso numa base regular e agora não lembre de nada? não é mais incrível ainda que eu tenha quase virado biomédica, pra começo de conversa?

nem questione.

a parte do meu hd mental responsável por armazenar esse conhecimento está tão vazia que faz até eco, só isso que eu sei.

a crise alérgica/peste negra/VOODOO segue firme, pra facilitar ainda mais o processo.

no desespero acabei desenterrando uns 35 cds com arquivos velhos porque em algum lugar eu precisava ter armazenado aqueles maravilhosos protocolos de 2005. não encontrei até agora, porque no meio do caminho havia fotinhas e o fantasma do natal passado: uma raquel de 2 anos de idade já cheia de rinite-bronquite-sinusite-asma e com a cara de desalento que só uma respiração precária é capaz de proporcionar.

cadê. meu. ar.
mas o que adoro mesmo é o diversificadíssimo kit-doencinha que eu carregava pela casa. um álbum de fotos, uma mamadeira, 17 chupetas e suzete, a boneca hidrocefálica. 
(esse álbum inclusive acabou aparecendo junto com todo o resto do entulho no episódio da cômoda. ele contém as fotos do meu segundo aniversário, evento para o qual minha mãe me vestiu com uma roupinha assustadoramente masculina. gravatinha, suspensórios, a porra toda. jamais compreenderei a motivação. jamais perguntarei também, porque temo.)



1:40 da manhã, algo me diz que tô procrastinando de leve aqui.
hmmm.

Sexta-feira, Maio 25

ontem teve esse evento da entrega da cômoda em minha residência. cômoda esta que minha mãe mandou fazer para o meu quarto uma vez que não conseguiu encontrar dentre todos os modelos disponíveis em todas as lojas do rio de janeiro algo que a agradasse. ela achou melhor fornecer as medidas a um carpinteiro e esperar ele fabricar um móvel inteiro. 

o que eu acho que ela não tinha considerado é que o carpinteiro poderia interpretar as medidas como uma mera sugestão e fabricar um móvel completamente incompatível com a vida. uma aberração. um mamute com gavetas. 

quando cheguei em casa e me deparei com aquele carro alegórico na sala eu ri. de nervoso. porque não era algo arrastável. ou carregável. ou cabível. mas fui lá desafiar as leis da física. arranquei todas as gavetas para facilitar a passagem e imediatamente os gatos entraram pelos vãos e começaram a se bater lá dentro. 

nesse ponto ainda eram 18h e eu ainda estava achando a experiência engraçada e válida.

três horas depois eu já tava ok de experiência por um dia mas a cômoda seguia não cabendo em nenhuma parede. em nenhuma posição. esvaziei todos os armários e todas as prateleiras e todos os reservatórios de mofo e nada. tirei uma estante do quarto. nada. entrei naquele ponto sem retorno em que a crise de rinite resolve virar crise de bronquite e chorei. mas chorei lindo.

nesse meio tempo, por razões que não mais recordarei, bianca achou que me animaria me apresentando ao trololo.


e gente, taí a trilha sonora de toda uma existência. a vida canta o trololo pra mim a cada nova comida de cu, tenho certeza. 

com o trololo no repeat concluí que não tinha muito como a situação ficar pior e terminei de botar o quarto abaixo. aparentemente empurrei os móveis com os joelhos, porque nada explica tantos hematomas. um pedaço de parede se foi e as prateleiras da estante estão todas meio bambas de tanto serem sacudidas de cá para lá. mas o milagre do encaixamento dos móveis finalmente deu-se por volta da meia noite.

viva o trololo, minha gente.

as pilhas de livros e dvds e roupas e fotos continuam por todo o chão. estou morando num brechó. ou melhor, estou desmaiada num brechó, porque só o polaramine e o hixizine salvam a vida da pessoa. durmo, acordo destrambelhada sem saber onde as coisas estão, levanto pra procurar algo, tropeço, desisto, durmo de novo. levei 24 horas para lembrar que tinha deixado o peixe na bancada da pia da cozinha, como ele não levou um esguicho de detergente nós jamais saberemos. quer dizer. tá legal, tá bacana. tá insalubre. tamos respirando a uns 30% da capacidade pulmonar, a caminho da fermentação. a qualquer momento começarei a produzir meu próprio etanol. o que, convenhamos, seria merecidíssimo.

Quinta-feira, Maio 24

no último episódio tinha essa pessoa das pedagogias extremamente aflicetada com os rumores da greve. com o resultado da assembléia a mulher abilolou um pouco mais e marcou um encontro de caráter emergencial para debater a greve que mal tinha completado 12 horas. ela precisava compartilhar impressões

a minha impressão é de que essas pessoas bebem muito daime na troca de turno. sabe? é minha única impressão. porque eu chego lá às 19h com meu toddynho, sento discretamente do lado de fora da ~roda~ (uma vida inteira sentando do lado de fora da roda, anos de prática) e as pessoas estão lá pirando na revolução imaginária. teve inclusive esse jovem que num momento de maior exaltação falou VAMO INVADIR A REITORIA GENTE.

opa, vamo. me liga quando for invadir, sim? não, mas me liga mesmo.

invadir a farmácia pra tomar um diazepam cês não querem não, né? só checando.
daí perguntam por que eu saio de casa para participar desse tipo de coisa. é porque se não vou a mulher se ofende e me manda emails reclamativos. é muito sério isso. eu não saio por aí perguntando, porque prefiro evitar a interação, mas tenho a impressão de que ninguém mais passa por esse tipo de coisa. professor interrompendo a aula pra dizer que eu estou sumida. professor dizendo que me viu indo embora antes, ou chegando depois (eu e mais 30 seres humanos, mas incrivelmente eu possuo a única cara que fica registrada nessas situações). professor mandando email pra dizer que me viu no ônibus e sabe que eu estou na faculdade, sim.

olha, é muito cansativo.
MUITO. CANSATIVO. 
independente disso já estaria sendo, MAS. as pessoas não facilitam, compreende? as pessoas não suavizam o processo. as pessoas são muito difíceis.

eu fui esse ser humano completamente terrível em minha última vida. nada mais explica.

Quarta-feira, Maio 23

mas então ontem eu fui apresentada a este link aqui e fiquei pirando em coisas extremamente relevantes tipo a comparação entre a largura de um óvulo e de um fio de cabelo e a dancinha da bicamada lipídica quando me deparei com ele. o mimivírus.

e ri para sempre porque oi, tenho sete anos e contaminação por mimivírus explicaria tanta coisa, hein? eu poderia seguir minha vida tranquilamente chorando em lugares públicos e quando perguntassem qual é o meu problema eu saberia responder: é só uma mimivirose, gente. nada grave, nada sério.

mas aí fui toda animada pesquisar e broxei eternamente porque, como sempre, a realidade nunca é tão divertida.

mimimi.

Terça-feira, Maio 22

tem essa coisa boa em ir ficando mais velha. quer dizer. eu gostaria MUITO de acreditar que ficar mais velha traz alguma coisa de relevante além de ruga e cabelo branco. mas aí tem isso. o fato de que, dado um certo ponto, tudo vira mais do mesmo. você sabe lidar (ou não, né. no meu caso geralmente é ou não) com os acontecimentos porque já passou por eles antes. muda o elenco, fica o roteiro manjadíssimo. e dá uma tristeza do caralho compreender que não somos especiais em nenhum nível dessa bodega desarranjada e não há o que fazer quanto a isso, não dá pra mudar o final. quem foi o idiota que inventou aquele ditado de "começar de novo e fazer um novo fim"? alguém chegou a esbofetear essa pessoa? porque né, merecia muito. chegamos aqui sabendo o papel que nos foi determinado e não sei como se deu essa divisão porque se escolha houvesse eu não ia querer vir como aquela que sim, mas não. mas é o que temos. e quanto mais se tenta fugir, mais a vida vem esfregar na tua cara que você não manda nada aqui não, gatinha. você não muda o roteiro. acho que o que muda - e mesmo assim fazendo um esforço épico - é a forma como a gente aprende a lidar. na base do disfarce. fingindo que não tem mais importância, veja como sou madura! até o dia em que não importa mesmo, mas aí é porque já não sobrou nada e não há alívio. apenas a sensação de estar indo embora de mãos vazias mais uma vez.

Segunda-feira, Maio 21

precisa?

- amiga, tá aí?
posso compartilhar um momento de extrema falta de piroca?
(não minha, perceba. evoluí.)

- to!

- Gente,
Ontem enviei mensagem avisando que se for decretada greve não terá aula, mas decidi encontrá-los para conversar sobre o movimento, tendo ou não greve. Peço desculpas pela indecisão, mas é a primeira vez que lido com uma greve na Universidade (mal consigo dormir pensando nisso).
BITCH PLEEEEEEEEEEEEASE

- MAL CONSIGO DORMIR PENSANDO NISSO
porra
GET A LIFE

- SIM
tipo, pertinente querer levantar a questão na aula, ok
mas daí a PERDER O SONO, gente

- gente
essa pessoa é DOENTE
me senti saudável mais uma vez, obrigada mundo

- agora reflita que se na primeira greve a pessoa fica assim, imagina na primeira vez que deu o cu o dilema que foi

- HAHAHAHAHHAHAHAHAH

Domingo, Maio 20


- Pourquoi t'as l'air triste?
- Parce que tu me parles avec des mots, et moi je te regarde avec des sentiments.

porque assim. eu sempre vou me sentir culpada. sempre. por tudo. se a gente analisar detalhadamente vai ver que é uma tendência um tanto quanto narcisista, até, porque TODA A CULPA DO UNIVERSO precisa passar pela minha pessoa em algum momento. e eu me sinto culpada por cada coisa ruim que me fazem. culpada em dobro: primeiro porque se fizeram eu mereci, e culpada por ter ficado triste. é muito agradável aqui dentro da minha cabeça, nem me falem. mas então. um dia eu considerei que talvez a culpa não fosse sempre toda minha. nem dessas pobres pessoas de coração bão que só metem no meu cu porque, coitadas, não sabem. daí eu passei a explicar. e a falar muito. pensar muito. escrever muito. me expor muito. numa tentativa meio desesperada de evitar mais porradas. pra não precisar passar por toda a merda de novo porque existe um limite pra pessoa ser assim tipo a grande lixeira do mundo. ou pelo menos deveria. mas não é exatamente isso que acontece. porque eu nunca vou conseguir explicar direito o que dói, onde, quando, por quê. eu não posso explicar isso sem trazer à tona mil coisas nas quais não posso tocar. então eu preciso que as pessoas entendam aquilo que não foi dito. aquele sutil espaço entre as palavras. quando estou ali, exposta e magoada, mas simplesmente não posso dizer o motivo. porque não funciona assim. e lá estou eu de novo me culpando por não funcionar. porque não sou fácil. porque as pessoas estavam pensando em outra coisa ou achando engraçadinho quando tava passando o ppt explicando que não é fácil. eu lá sei o que as pessoas têm na cabeça. que sei eu dessa merda toda, afinal.

but i better be quiet now
and i'm tired of wasting my breath
carrying it on, getting upset

maybe i have a problem
but that's not what i wanted to say
i prefer to say nothing
i got a long way to go
getting further away

hit me baby one more time.